Casal tem negado pedido de indenização por atraso em entrega de imóvel

Casal tem negado pedido de indenização por atraso em entrega de imóvel

Juiz considerou que não houve atraso de fato porque contrato de financiamento estabeleceu nova data.

Um casal que adquiriu imóvel na planta teve negado o pedido de indenização pelos danos causados com o atraso na entrega da obra. A 6ª câmara de Direito Privado do TJ/SP entendeu que, no caso, não há motivo para reparação material visto que não houve atraso de fato, já que um contrato de financiamento posterior à promessa de compra e venda previu nova data. Sobre os danos morais, o colegiado entendeu que o mero descumprimento contratual não ensejaria a reparação de ordem moral.

Compra e venda

O casal ingressou com ação contra empresa de empreendimentos imobiliários pedindo reparação por danos materiais, morais e lucros cessantes pelo atraso na entrega do imóvel. Os dois pleitearam também anulação de cláusula contratual que estabeleceu tolerância de 180 dias para conclusão das obras, ao argumento de que consiste em vantagem desproporcional em favor da ré, e que fossem ressarcidos dos valores pagos a título de taxa de evolução de obra, taxa administrativa e IPTU.
Na 1ª instância, o juízo considerou válida a cláusula que deu prazo de tolerância, mas que, mesmo assim, houve atraso na obra. A empresa foi condenada ao ressarcimento de taxa de evolução de obra cobrada no período, ressarcimento da taxa administrativa, ressarcimento de IPTU antes da entrega das chaves e indenização correspondente ao valor locativo do imóvel. O dano moral foi descaracterizado.
Inconformadas, as partes apelaram.

Novo prazo

Ao analisar, o relator, desembargador Vito Guglielmi, entendeu que não merecia prosperar o pedido de anulação da cláusula de tolerância no atraso, pois não continha vícios.
O magistrado também concluiu que, embora os compradores tenham culpado a incorporadora pelo atraso, fato é que eles aderiram a um programa de financiamento firmado posteriormente à promessa de compra e venda, o qual estabelecia novo prazo para conclusão, qual seja, 13 meses a contar da data da assinatura. Como foi firmado posteriormente, valeria o prazo nele contido.
Com novo prazo, restou descaracterizado o atraso aventado. O desembargador destacou que os demandantes tinham plena condição de apreender o teor e o alcance de tal disposição contratual e que “arrependimento posterior não é causa de abusividade do que foi bem pactuado”.
“Não há que se atribuir à requerida a responsabilidade pela prática de qualquer ato ilícito a ensejar a ocorrência dos danos materiais propalados pelos autores. Se houve prejuízo em razão do desatendimento da previsão inicialmente fixada para entrega das chaves, isso efetivamente à requerida não pode ser atribuído. À cabal falta de ilícito contratual consistente em atraso na conclusão das obras, pois, afasta-se a pretensão ao recebimento de indenização por lucros cessantes, pela cobrança da chamada ‘taxa de evolução de obra’ e, finalmente, pela reparação do dano moral.”

Dano moral

Sobre o pedido de dano moral, o magistrado destacou que nem mesmo o descumprimento contratual bastaria ao seu deferimento.
“Como venho sustentando, com apoio em pacífica jurisprudência, o eventual descumprimento de cláusulas contratuais não implica, de per se, na ocorrência de uma lesão de natureza moral. Note-se que não comprovaram nada os autores além do mero relato do dissabor ínsito ao parcial desatendimento de suas expectativas, o que indica ter sido ferida mera suscetibilidade, que não traduz dano.”
Quanto às taxas, foram previstas em contrato, portanto, entendeu o colegiado que não deveriam ser ressarcidas.
A sentença foi reformada para provimento do recurso da empresa, que foi representada pela banca Alonso Advocacia.

Fonte:http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI262034,61044-Casal+tem+negado+pedido+de+indenizacao+por+atraso+em+entrega+de+imovel

Comentário

Atualmente, as construtoras têm enfrentado diversas demandas que alegam o atraso na entrega dos imóveis adquiridos pelos consumidores na planta.
No entanto, apesar de haverem diversas demandas no mesmo sentido, cada uma delas deverá ser analisada de forma única, como ocorreu no caso acima ilustrado.
Isto porque, primeiramente, não se deve presumir a culpa das construtoras que, na maioria das vezes, somente não cumpre o prazo acordado por motivos que fogem da sua alçada, ou seja, por motivos alheios a sua vontade.
E segundo porque, diversas vezes, apesar do consumidor alegar que houve atraso, este não se atentou aos prazos estipulado no Contrato firmado entre as partes.
Ainda neste sentido, havendo uma ação judicial que pleiteia indenização por danos advindos do atraso na entrega das chaves, deverá ser levado em consideração diversas situações que somente poderão ser verificadas da análise do caso, como, por exemplo, se o consumidor não cooperou com o atraso na entrega das chaves.
Sendo assim, verificamos que já há uma mudança de paradigma que demonstra que as construtoras não devem ser, indiscriminadamente, responsabilizadas pelo atraso na entrega das chaves.

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